11 de março de 2008

Uma boa leitura


Escrita em 1951, O Velho e o Mar foi a última grande obra de ficção de Ernest Hemmingway a ser publicada enquanto o autor ainda era vivo e é considerada por muitos a obra-prima da maturidade do autor.
Santiago é um pescador que, depois de 84 dias sem conseguir pescar um único peixe, passando pela provação do escárnio de seus colegas e sendo taxado azarento, decide partir sozinho em seu pequenino barco para o alto mar, na certeza de que, desta vez, terá sucesso. Solidão, pensamentos, sonhos e uma inabalável confiança sustentam o velho e solitário homem, quando ele fisga o “peixe perfeito”, com quem trava uma batalha de superação pessoal e transposição de limites durante 3 dias.
Com poucas páginas, o livro traz uma história que a primeira vista não parece render muita coisa. Para os simplistas é apenas o relato enfadonho da luta de um velho pescador contra um grande peixe. Mas O Velho e o Mar é muito mais do que isto. Concisa e densa, a narrativa caminha sobre um fio tão tenso que beira o extenuamento, o leitor é levado para dentro do monólogo de Santiago, envolve-se com suas dúvidas, sua angústia, sua tristeza e suas pequenas alegrias, quase ao ponto de sentir na própria pele suas provações físicas e sua dor.
O conto sintetiza, de alguma maneira, toda a visão de mundo do autor através do personagem: é carregado de amargura e de pensamentos que remetem à aceitação serena, mas não sem luta, da derrota, da perda, do triunfo pela consciência de sua dignidade própria. Santiago, tem uma visão muito nítida de como é sua vida: uma constante e infindável luta que, garante sua sobrevivência com pequenas vitórias, mas chega ao fim da vida carregando nas costas os restos daquilo pelo qual batalhou durante toda sua existência.

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